Law & Agro #1 | COP30 - A festa do flop
publicado originalmente em 10/12/2025
O histórico de animação com o evento, a COP do Agro, a promessa de invasão e a torcida pelo flop mostram que o produtor nunca foi ator principal do evento que prometia discutir a sua atividade
Os meses antes da COP30 foram uma montanha-russa de sonhos frustrados.
Os grupos fechados que observamos falaram muito sobre COP. E pouco sobre produtores na COP. Menções entre outubro e novembro:
Vinicius Borba, Aldo Rebelo, Olavo de Carvalho e outros gurus
Da promessa de uma COP do Agro à derrota narrativa
Se em abril de 2024 começa uma narrativa de busca por espaço na COP30, em abril de 2025 a COP do Agro mexeu com a esperança do produtor rural da Amazônia. Em junho veio o balde de água fria com seu cancelamento e, a partir daí, Vinicius Borba, Olavo de Carvalho, Aldo Rebelo e até Bjørn Lomborg deram o tom do debate nos grupos analisados.
Primeiro veio a promessa de invasão: “acabar com a Farsa” era a ordem daqueles que inflamam o grupo. Uma ordem que parecia encantar aqueles que se sentem inflamados.
Depois veio a torcida: “A festa do flop vai ruir sozinha”. Durante a realização do evento, os grupos se mobilizaram na narrativa de esvaziamento, vexames e preços elevados. Acreditando que a COP de Belém seria um enorme fracasso em todos os seus objetivos. O que, de novo, não se concretizou.
O que sobrou, então?
Um enorme vazio. E mais promessas.
O produtor rural organizado à extrema-direita começou 2025 com a promessa de ter uma “cadeira” nas negociações da COP30, passou pela euforia da promessa de ter uma COP do Agro, se encheu de energia com a promessa da invasão da COP30 pelo “agro real”, torceu por um fracasso de audiência... Nadou, nadou, nadou e morreu em uma praia privatizada. Na “Festa do Flop de Belém” foram convidados a CNA, SENAR e outras associações, a grande indústria do Agro(negócio), organizações da sociedade civil, representantes de estado e produtores de conteúdo que constroem a cultura do meio.
Quem ficou de fora, ao frigir dos ovos, foi o produtor rural.


Por que é uma derrota e o que podemos fazer com ela?
É uma derrota narrativa porque os atores que influenciam a opinião do público analisado prometeram e não cumpriram. Seguidas vezes. Mas, ainda que tenham perdido a batalha, a guerra de narrativa segue. Os gurus reorganizam o próprio gráfico narrativo e continuam angariando e retendo atenção.
O produtor rural (da amazônia ou não) precisa de alguém em quem acreditar - e se apegar - para atravessar o período de turbulência que o acomete. hoje, quem ocupa esse lugar são os gurus que observamos. Eles estão na frente porque conhecem os sentimentos e sabem, melhor do que ninguém, como contemplar quem planta, colhe, cria, maneja, engorda, transporta e entrega para o abate ou consumo.
Agora é hora de…
…Observar e aprender quais comportamentos mudam (ou não) a partir das narrativas que nascem de mais uma vez que o produtor rural foi escanteado na hora de tomar decisões sobre a sua atividade
…Acompanhar com olhos atentos o período de baixa pelo qual o agro (negócio ou não) brasileiro está passando.
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