Law & Agro #2 | Geopolítica: a nova obsessão dos militantes
publicado originalmente em 22/01/2026
A peça preferida da extrema-direita do agro em um tabuleiro que envolve campanha eleitoral, mercado consumidor, reforço ideológico e uma noção torta de patriotismo
Venezuela
China
Aldo Rebelo
Trump
Rússia
Lula
Tarcísio
Amazônia
Cuba
Groenlândia
Bolsonaro
E como tudo isso afeta o agro?
Venezuela: vitória, alerta e torcida
A invasão à Venezuela foi comemorada pelos militantes como uma grande vitória contra o comunismo. Mas e depois disso?
Era começo da manhã do dia 03 de janeiro quando as primeiras mensagens de alegria pelo sequestro de Maduro apareceram nos grupos monitorados. Um teor cristalino e um sentimento genuíno: vitória conservadora contra o comunismo e uma intensa torcida para que o mesmo seja feito em Cuba, Colômbia e Brasil.
Donald Trump e os EUA figuraram, novamente, como baluartes da liberdade, bastiões do combate a ditadores e como vencedores na guerra internacional às drogas. Ao menos por algum tempo.
Mais tarde, com uma semana de atraso, bateu a dúvida em alguns: será mesmo que Trump está disposto a ajudar a direita brasileira em sua missão de “limpar o comunismo do país”?
Seja pelos motivos corretos - ou não - a credibilidade das ações de Trump está em xeque nos imaginários daqueles que, há 6 meses, enxergavam nos EUA o ideal da extrema-direita organizada do agro brasileiro.


Mas e o futuro do meu negócio?
Mais liberdade, mais gente consumindo.
A otimista posição de analistas do mercado (específicos do agro ou os genéricos da Faria Lima) se repetiu e ecoou nos grupos monitorados. Em resumo, o “fim do chavismo” significa, para o produtor rural brasileiro inserido nas cadeias de produção de alimentos, mais mercado consumidor de grãos, de carne, de gado em pé... Pela primeira vez, vídeos da analista Kellen Severo tiveram alto fluxo de compartilhamentos nos grupos.
Mas nem só de mais mercado vive a opinião (ou talvez sim, mas com mais complexidade de raciocínio). Os grupos também se mobilizaram na narrativa de reação chinesa contra Washington via tratado agrícola como instrumento de pressão. Neste cenário, claro, o otimismo também esteve presente. Mais compras chinesas no colo do Brasil, mais mercado.
Se a China é comunista ou não, tanto faz. Entre conspirações, defesa de posicionamentos ideológicos e estratégias eleitorais, por várias vezes, durante todo o período de observação, fica claro que a realidade do mercado é o único “antídoto narrativo” contra as conspirações que mobilizam os grupos. Transformar o antídoto em vacina narrativa é uma das missões do nosso campo.
Mas o que tudo isso tem a ver com o ciclo eleitoral?
A extrema-direita organizada do agro já está em campanha há meses.
Já há uma definição clara de linha estratégica por parte das lideranças dos projetos de poder monitorados.
Já há um direcionamento de importância majoritária em ocupar o senado.
Já há grupos focados em ventilar o nome de Aldo Rebelo como opção saudável na ausência de Bolsonaro.
Já há uma dúvida sobre Caiado.
Já há Zema fora do baralho.
E já há quem não arrede o pé de Bolsonaro.
Em um cenário avançado de campanha, o campo conservador sai na frente, principalmente porque a maioria dos prognósticos apontam para uma eleição baseada em micro posicionamentos. Isto é, temas estruturais (clima, por exemplo) pulam para o terceiro plano e destacam-se opiniões dos candidatos em temas pontuais (drogas, aborto, operações policiais, movimentos geopolíticos com motivações fantasiosas...).
Espera-se um comportamento novo e volátil do eleitor para 2026: há elementos novos no tabuleiro, tais como os projetos de poder em pleno crescimento, o voto definido por ferramentas de inteligência artificial e a invisibilidade de alguns padrões de lentes pelas quais o brasileiro enxerga o mundo. Clique e conheça “O Brasil Invisível”.
Agora é hora de…
...confundir a audiência que esses grupos monitorados conservam.
Eles não concordam em tudo. Há pontos de fissura que podem colocar a perder todas as narrativas que, ao olhar superficial, parecem uníssonas.
Aldo é de direita? Tarcísio é centrão-oportunista? Flávio Bolsonaro é um plano B ou é improviso? Trump quer libertar a América Latina de ditadores ou quer se apoderar de recursos?
Infiltrar mensagens capazes de fomentar esses conflitos e de dispersar atenção e sentimentos do produtor rural organizado é o caminho mais curto para reduzir a capacidade de mobilização das lideranças monitoradas.
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