Mas, antes de mergulhar no agro, a curadoria de conteúdo da nossa edição #1.
Começamos o Pocket do L&A pinçando dois vídeos de Tallis Gomes, o influenciador do mercado financeiro conhecido nas redes por não contratar colaboradores de esquerda, pregar a aversão ao casamento com mulheres CEO e, mais recentemente, por tentar vender o Brasil em sua participação na Rockbridge Network.
Os vídeos circularam MUITO nos grupos da extrema-direita do agro que monitoramos.
A estética empresarial com elementos de autoridade visa converter eleitores de outros candidatos e incentivar quem se absteve no 1º turno a digitar 22 nas urnas no próximo dia 25: “votar pela mudança” porque o brasileiro está “cansado de mais do mesmo”.
O desenrolar dos vídeos escancara que a estratégia narrativa é abordar problemas reais da classe trabalhadora como custo de vida, transporte, combustível, cesta básica, buscando se aproximar do trabalhador autônomo, liberal, CEO de si e de quem acorda cedo pra prosperar “apesar do governo”.
Sequestrando e ressignificando pautas e agendas historicamente de esquerda e se posicionando como “alguém que veio de baixo, da periferia”, Tallis cobra quem se absteve para “botar a mão na mudança” e afirma não haver “escolha perfeita”, indicando que Flávio Bolsonaro pode, sim, ter um defeito ou outro.
O tom dos vídeos propõe uma dança entre medo e esperança. Sentimentos que são exaustivamente explorados, também, pelas lideranças dos grupos que monitoramos.
Nas eleições de 2022, 77 das 100 cidades mais ricas do agro brasileiro depositaram mais votos em Jair Bolsonaro que em Lula. No primeiro turno de 2026, o número pulou para 83 cidades que almejam Flávio Bolsonaro como presidente. E o avanço não tem relação (apenas)com desinformação, conservadorismo e crimes ambientais.
A EXTREMA-DIREITA FEZ AQUILO QUE PROGRESSISTAS TANTO COBRAM DO PT: TRABALHO DE BASE.
O caso de Luís Eduardo Magalhães/BA virou ícone de discussão em plataformas de redes sociais. A jovem cidade baiana figura entre as mais ricas do agro brasileiro, atrai investimentos altos do agronegócio e se torna caso de sucesso de adoção de tecnologia de ponta no agroatividade. Flávio Bolsonaro superou Lula com 62,03% dos votos na cidade, em um estado que historicamente figura como “salvador” do PT. O bolsonarismo dá sinais claros de “invasão” a territórios políticos outrora dominados por Lula.
Nosso time monitorou publicações sobre eleições no universo do agro. Nossos achados mostram que entre julho e o início de outubro, a conversa sobre agro e eleições ganhou escala e, principalmente, mudou de natureza.
O período reúne 91,57 mil menções e 34,83 mil autores únicos com crescimento de 60% no volume e de 41% na quantidade de autores frente aos meses anteriores. A expansão, portanto, não veio apenas de uma maior repetição entre os mesmos perfis. Mais atores passaram a participar da discussão, enquanto a frequência das manifestações também aumentou.
Os acontecimentos políticos, sociais e culturais que resultaram nesse aumento são variados no período, incluindo o apoio da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) às vésperas do primeiro turno, as especulações de Tereza Cristina (PP) como vice de Flávio, a Festa de Peão de Barretos e a amplamente compartilhada afirmação de Nikolas Ferreira “neutro é detergente, o agro é 22”.
ALÉM DE, CLARO, A INFELIZ FALA DE LULA SOBRE RECURSOS FINANCEIROS, VOTO E JOELHOS.
Além da conversa pública sobre agro e eleições, nos últimos 3 anos, nosso time monitorou o crescimento acelerado de movimentos extremistas no agro, principalmente no Pará, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul. Os líderes de associações do agro, ao longo desse tempo, cumpriram um papel fundamental para as vitórias do bolsonarismo no último domingo: concentraram atenção, direcionaram sentimentos, prestaram apoio (principalmente jurídico) ao produtor e transformaram seguidores em militantes organizados em um vasto ecossistema de grupos de WhatsApp.
TRABALHO DE BASE FEITO POR QUEM ENTENDE AS DORES DO PRODUTOR RURAL E SABE FALAR NA MESMA LÍNGUA QUE AS POPULAÇÕES RURAIS POR TODO O PAÍS.
Agora é hora de…
Reconhecer que entrar em conflito com o produtor rural de maneira generalizada é um caminho equivocado para quem quer vencer eleições. O Brasil tem mais de 5 milhões de produtores rurais de todos os tamanhos, espalhados por todo o território.
CADA UM DESSES PRODUTORES É UM CONSTRUTOR CONTÍNUO DA CULTURA DO MEIO DO AGRO.
São mais de 25 milhões de habitantes em regiões rurais que moldam comportamentos, também, pela perspectiva do decisor sobre negócios do campo.
Para o 2º turno, dialogar com o trabalhador do campo demandará abrir mão do conflito, ouvir as dores, validar o sentimento e conversar sobre as questões materiais que ameaçam principalmente os negócios de médio e pequeno porte, tais como crédito e endividamento, eventos climáticos extremos, apagão de mão de obra, seguro rural e preço dos combustíveis. Só o reconhecimento das demandas do produtor e do trabalhador pode aproximar o campo progressista do voto de regiões rurais.
NA PRÓXIMA EDIÇÃO: JOGO DAS CADEIRAS DA FPA, O PESO DE TEREZA CRISTINA, CAIADO E DEMAIS APOIOS DO AGRO A FLÁVIO NO 2º TURNO E AS PROMESSAS DO BOLSONARISMO AO PRODUTOR RURAL.
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