Aqui, no enorme ecossistema de grupos da extrema-direita do agro, principalmente compostos por produtores rurais do Pará, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul, o que encontramos em mais de 2 anos de monitoramento, são militantes completamente mergulhados em uma espiral de delírios coletivos, narrativas falsas muito bem posicionadas, articuladas e sintonizadas com a linguagem, as dores e os sentimentos de produtores rurais que, aglutinados pelo ódio, se tornam multiplicadores dos projetos de poder que acompanhamos.

O comportamento de cada usuário é diverso. Além de não se tratar de um bloco monolítico (como já mostramos em edições anteriores), é possível identificar militantes mais engajados que os demais. Quando analisamos os 50 membros mais ativos de cada grupo, percebemos uma similaridade: os membros que mais enviam mensagens, via de regra, são também aqueles que mais compartilham mídias e links trazidos de outros grupos ou de redes sociais bolsonaristas. Essas figuras, existentes em todos os grupos monitorados pela nossa equipe, funcionam como multiplicadores de uma cascata de mentiras.












O que não se pode negar, à essa altura da lavoura, é que o mecanismo não esteja funcionando
Ao manipular dados verdadeiros e distorcer narrativas para formar militantes, distanciá-los da verdade, intoxicá-los com uma infinidade de vídeos, áudios, imagens de Inteligência Artificial e links completamente duvidosos, os responsáveis por esses grupos não só concentram a atenção e canalizam o ódio de trabalhadores do campo em inimigos específicos, mas também se posicionam como heróis responsáveis pela defesa dos interesses dos produtores rurais.
Importante lembrar: muitos dos grupos são de líderes de associações de produtores rurais, como Vinícius Borba e Raphael Barra, da APRIA e ABDAGRO, figuras amplamente citadas em edições anteriores.
Os puxadores desses movimentos de aglutinação pelo ressentimento, claro, já colhem seus próprios louros. Engana-se quem pensa que estão apenas a mando de um projeto bolsonarista, o que essas lideranças desejam - para além de expandir a extrema-direita para camadas distantes dos grandes centros e contribuir com o crescimento e manutenção do antipetismo por todo o interior do país - é a construção de projetos de poder paralelos ao bolsonarismo, ainda que dentro da mesma lógica de estímulo à dissonância cognitiva, ao ódio e à tomada de decisão de negócio por meio da posição ideológica.
Agora é hora de…
Disputar os indecisos sem esquecer, nem por um segundo, que os projetos de poder da extrema-direita no agro brasileiro ainda não vivem seu auge, mas estão em constante expansão, adensamento de atenção nas redes sociais e em franco crescimento para dentro das instituições públicas. O que nasceu como uma milícia digital organizada em um ecossistema de grupos, hoje, dá todos os sinais de chegar às mais variadas esferas de tomada de decisão pública.
Para o futuro, organizações que desejam conversar com produtores rurais extremados carregam consigo o dever de confundir a audiência em torno daqueles que usam do próprio alcance em redes sociais para fomentar o ódio, multiplicar mentiras, distorcer dados e organizar militantes crentes em um Brasil distópico.
NA PRÓXIMA EDIÇÃO: O DIA DO FOGO NA AMAZÔNIA, A NARRATIVA MAIS PROPAGADA POR INFLUENCIADORES DO AGRO E QUEM GANHA COM A FLORESTA EM CINZAS.
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